quinta-feira, 9 de novembro de 2006

A providência divina


“O Senhor é meu pastor; nada me faltará” (Salmos 23:1).

Ao reconhecer que o Senhor é seu pastor, Davi traz à nossa mente duas figuras pitorescas da Palestina: a ovelha e o pastor. A ovelha, por ser um animal dócil ao extremo e indefeso, tem sua sobrevivência atrelada aos cuidados do pastor. Já o pastor, caracterizado pela paciência, pelo amor e dedicação com que se relaciona com seu rebanho, chega a ponto de sacrificar sua própria vida frente a perigos como animais ferozes ou salteadores que tentam atacar suas ovelhas. Seu amor é tão grande por cada ovelha que se uma delas se desgarra, ele é capaz de deixar seu rebanho no aprisco e sair em busca da ovelha perdida até que a encontre (Lucas 15:4). Entendemos, portanto, a razão do Senhor Jesus autodenominar-se o Bom Pastor, enfatizando assim seu amor, cuidado e sacrifício por suas ovelhas, por seus filhos (João 10:11).

Deus espera que sejamos ovelhas e não bodes, pois estes, apesar da semelhança, são agressivos por natureza e nem sempre se sujeitam a um guia, um líder. Quantas vezes nos consideramos ovelhas do rebanho do Senhor, porém rejeitamos ser conduzidos por Ele, ainda que em uma ou mais áreas de nossa vida.

De acordo com alguns tradutores e exegetas bíblicos, a expressão “nada me faltará” poderia ser melhor compreendida como “de nada tenho falta”. Ou seja, Deus nunca nos deixará faltar o necessário, o indispensável.

Nem o justo, nem sua descendência mendigarão o pão (Salmo 37:25). O Senhor compromete-se a nos suster com aquilo que precisamos e não com aquilo que desejamos, pois muitas vezes cobiçamos supérfluos e por causa disto pedimos mal, para gastarmos em nossos deleites (Tiago 4:3). Assim, para que possamos pedir o que realmente é necessário (Provérbios 30:8,9), segundo a vontade do Senhor, precisamos da ajuda do Espírito Santo, que conhece as profundezas de Deus e intercede por nós (Romanos 8:26).

Compreendemos, portanto, que nosso Divino Pastor sabe o que é melhor para nós e não negará bem algum àqueles que lhe pedem. No entanto, se não recebemos aquilo que estamos pedindo, pode ser Deus esteja nos poupando de maiores dores, pois se este pedido fosse atendido tornar-se-ia em embaraço para nossa caminhada. Pode ser ainda que o tempo de Deus (gr. kairós), que é diferente do tempo humano (gr. chronos) ainda não tenha chegado (2 Pedro 3:8).

Em última análise pode ser que estejamos com falta de fé, e sabemos que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6). Porém se tivermos fé, se estivermos em Cristo e se a sua Palavra estiver em nós, pediremos e seremos atendidos (Mateus 21.21,22; João 15:7).

Deus sempre está pronto a responder nossas orações, porém devemos ter a sensibilidade para entender que esta resposta pode ser: não, sim ou espere.

Davi, que cresceu pastoreando as ovelhas de seu pai Jessé, em Belém de Judá, certamente conhecia o que significava depender da providência divina, pois há um grande abismo entre conhecer a definição nominal de Iaveh Jireh (hebr.: o Senhor Proverá) e provar do cuidado divino ao suprir nossas necessidades físicas, espirituais e emocionais.

Aprendamos a ouvir a voz do nosso Pastor, pois as suas ovelhas conhecem a sua voz e o seguem (João 10:4,14). Ele que conhece muito bem o caminho, pois é o próprio Caminho, nos guiará e certamente de nada teremos falta, pois segundo as suas riquezas suprirá todas as nossas necessidades em glória, por Cristo Jesus (Filipenses 4:19).


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Dez passos para fechar sua igreja

(Adaptado de “Como matar a sua entidade”)
1 – Não freqüente os cultos, orações, vigílias, campanhas, consagrações, ensaios, reuniões, muito menos a Escola Dominical, mas quando comparecer procure algo para reclamar.

2 – Sempre que comparecer a alguma atividade de sua congregação, encontre falhas no seu líder, seja ele/a regente, dirigente, professor/a de EBD, Auxiliar, Diácono, Diaconisa, Presbítero, Coordenador, Evangelista ou até Pastor.

3 – Nunca aceite uma incumbência dada pelo seu líder. Lembre-se que é mais fácil criticar do que realizar.

4 – Se o Ministério pedir a sua opinião sobre um importante assunto, responda que não tem nada a dizer e depois espalhe como deveriam ser as coisas.

5 – Não faça nada além do absolutamente necessário, porém, quando os obreiros estiverem trabalhando com toda boa vontade e interesse, para que tudo ocorra bem, afirme que sua Congregação está sendo manobrada por um “grupinho”.

6 – Não leia os periódicos da Igreja e converse bastante na hora dos avisos. Afirme que nunca tratam de algo interessante, que são puro gasto de dinheiro e perda de tempo.

7 – Se for convocado para qualquer cargo, recuse alegando falta de tempo ou capacidade e depois critique com afirmações do tipo: “Esta turma quer é ficar para sempre nos cargos”

8 – Sugira, insista e exija realizações de cursos, palestras, seminários. Quando a Igreja realizá-los não se inscreva nem compareça.

9 – Se receber um questionário solicitando sugestões não preencha e, se o Ministério não tiver as mesmas idéias e pontos de vista que você, critique e espalhe a todos que é ignorado;

10 – Em hipótese alguma contribua com dízimos ou ofertas, afinal de contas Deus é o “dono da prata e do ouro” e não precisa do vil metal. Contudo, quando faltar recursos para enviar missionários, para ajudar os necessitados, para reformar ou construir templos, diga a todos que a liderança da Igreja não sabe administrar.

Após esta colaboração espontânea, quando cessarem os cultos, as reuniões e todas as demais atividades, quando ninguém mais sentir prazer em estar na Igreja, enfim, quando sua congregação fechar, estufe o peito e afirme: “Eu não disse?!”.

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Exaltados pelo Senhor

“Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda”(Salmos 23:5).

É comum nos dias atuais aquele tipo de pessoa que gosta de exaltar a si mesmo. São perfeitos aos seus próprios olhos, suas idéias são sempre as melhores, são os donos da verdade, verdadeiros poços de presunção e vaidade. A estes, diz a Palavra, o Senhor abaterá (Jó 40:11).

Os humildes, no entanto, são exaltados pelo próprio Deus, diante de seus inimigos (Salmos 147:6).

Davi sabia o que era ser humilhado, mas também provou o sabor de ser exaltado por Deus diante dos seus adversários.

Apesar da profissão de pastor de ovelhas ser comum na Palestina, não era vista com bons olhos pela sociedade de então.

O pastor quase sempre era nômade, pois só permanecia em determinado lugar enquanto houvesse pastos e águas límpidas para o seu rebanho. Sendo as próprias ovelhas sua única riqueza, levava uma vida rústica, sem maiores confortos. Seu passatempo predileto era cantar e tocar flautas, liras ou harpas durante as noites frias, enquanto vigiava seu rebanho. Quem sabe nestas ocasiões Davi não compôs alguns de seus Salmos, pois afinal de contas eram canções de adoração a Deus.

Acostumado ao trabalho rude, Davi, aquele menino franzino e, segundo alguns estudiosos, ruivo e sardento, talvez não tivesse grandes ambições além de cuidar bem das ovelhas de seu pai e quem sabe um dia possuir seu próprio rebanho. Nem suspeitava ele que o Senhor já o havia escolhido para o exaltar tornando-o rei sobre Israel.

Deve ter sido muito grande a surpresa quando o avisaram que o homem de Deus, Samuel, estava em sua casa e o aguardava para a refeição.

Naquele dia Davi seria ungido e sua vida nunca mais seria a mesma (1 Samuel 16:13). É assim que acontece também conosco. A unção do Espírito Santo em nossa vida nos transforma, nos dá autoridade, poder, sabedoria, intimidade com Deus e amor pela sua obra.

Apesar do Senhor ter rejeitado a Saul e ter ungido a Davi rei em seu lugar, o menino-pastor não assumiu o trono de imediato. Davi precisava adquirir experiência, precisava amadurecer e aprender agora a ser ovelha do Senhor para mais tarde se tornar pastor de Israel.

Ninguém pense que após a unção a vida de Davi tornou-se um mar de rosas. Ele precisou enfrentar e vencer o leão, o urso e o gigante. Porém creio que o seu maior inimigo foi Saul. Isto porque Davi, mesmo perseguido, sabia que sobre Saul ainda repousava a unção Deus, por mais que este já houvesse caído da graça de Deus. Davi poderia achar que como era vontade de Deus que ele assumisse o trono, teria o direito de eliminar Saul, o único impedimento legal para que ele reinasse. Porém Davi dá uma das muitas demonstrações que fizeram dele um homem segundo o coração de Deus: não ousou levantar a mão contra o ungido do Senhor (1 Samuel 24:6). Que bela lição podemos aprender deste fato.

O ciúme de Saul foi aumentando e Davi teve de fugir e até fingir-se de louco. Imagine quantas renúncias precisou fazer e quanta humilhação teve de suportar.

O tempo passou e Saul, ao final de uma batalha perdida, suicidou-se, deixando o trono para Davi. Não devemos, portanto, nos apressar. Se a unção está sobre as nossas vidas, não é preciso alardearmos aos quatro cantos do mundo. Não é preciso tomar o lugar de ninguém. Nossas atitudes e os frutos que produziremos falarão por nós e no momento oportuno Deus nos colocará no lugar que Ele quer para que cumpramos os seus propósitos eternos.

Inimigos sempre teremos (João 15:19). Porém Jesus nos ensinou a orar por eles, a pagar-lhes o mal com o bem (Mateus 5:44). Não convém ao cristão a vingança, pois a vingança pertence somente ao Senhor (Romanos 12:19).

Mas o que significa cabeça ungida com óleo e cálice transbordante? Cabeça ungida representa consagração, autoridade, poder e sabedoria dadas pelo Espírito Santo. A partir da unção passamos a ter a mente de Cristo (1 Coríntios 2:16). Cálice transbordante é uma analogia que descreve bênçãos sem medida, abundantes (Lucas 6:38). Quando o Senhor nos exalta, os que estão a nosso redor são também contagiados pelo favor divino e até nossos inimigos alimentam-se em nossa mesa e provam dos respingos da graça sobre nós derramada (Gênesis 39:5).

Se acreditamos nas promessas bíblicas que afirmam que os humilhados serão exaltados (Mateus 23:12), aguardemos o agir de Deus, pois a seu devido tempo fará o que lhe apraz.

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