A providência divina


“O Senhor é meu pastor; nada me faltará” (Salmos 23:1).

Ao reconhecer que o Senhor é seu pastor, Davi traz à nossa mente duas figuras pitorescas da Palestina: a ovelha e o pastor. A ovelha, por ser um animal dócil ao extremo e indefeso, tem sua sobrevivência atrelada aos cuidados do pastor. Já o pastor, caracterizado pela paciência, pelo amor e dedicação com que se relaciona com seu rebanho, chega a ponto de sacrificar sua própria vida frente a perigos como animais ferozes ou salteadores que tentam atacar suas ovelhas. Seu amor é tão grande por cada ovelha que se uma delas se desgarra, ele é capaz de deixar seu rebanho no aprisco e sair em busca da ovelha perdida até que a encontre (Lucas 15:4). Entendemos, portanto, a razão do Senhor Jesus autodenominar-se o Bom Pastor, enfatizando assim seu amor, cuidado e sacrifício por suas ovelhas, por seus filhos (João 10:11).

Deus espera que sejamos ovelhas e não bodes, pois estes, apesar da semelhança, são agressivos por natureza e nem sempre se sujeitam a um guia, um líder. Quantas vezes nos consideramos ovelhas do rebanho do Senhor, porém rejeitamos ser conduzidos por Ele, ainda que em uma ou mais áreas de nossa vida.

De acordo com alguns tradutores e exegetas bíblicos, a expressão “nada me faltará” poderia ser melhor compreendida como “de nada tenho falta”. Ou seja, Deus nunca nos deixará faltar o necessário, o indispensável.

Nem o justo, nem sua descendência mendigarão o pão (Salmo 37:25). O Senhor compromete-se a nos suster com aquilo que precisamos e não com aquilo que desejamos, pois muitas vezes cobiçamos supérfluos e por causa disto pedimos mal, para gastarmos em nossos deleites (Tiago 4:3). Assim, para que possamos pedir o que realmente é necessário (Provérbios 30:8,9), segundo a vontade do Senhor, precisamos da ajuda do Espírito Santo, que conhece as profundezas de Deus e intercede por nós (Romanos 8:26).

Compreendemos, portanto, que nosso Divino Pastor sabe o que é melhor para nós e não negará bem algum àqueles que lhe pedem. No entanto, se não recebemos aquilo que estamos pedindo, pode ser Deus esteja nos poupando de maiores dores, pois se este pedido fosse atendido tornar-se-ia em embaraço para nossa caminhada. Pode ser ainda que o tempo de Deus (gr. kairós), que é diferente do tempo humano (gr. chronos) ainda não tenha chegado (2 Pedro 3:8).

Em última análise pode ser que estejamos com falta de fé, e sabemos que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6). Porém se tivermos fé, se estivermos em Cristo e se a sua Palavra estiver em nós, pediremos e seremos atendidos (Mateus 21.21,22; João 15:7).

Deus sempre está pronto a responder nossas orações, porém devemos ter a sensibilidade para entender que esta resposta pode ser: não, sim ou espere.

Davi, que cresceu pastoreando as ovelhas de seu pai Jessé, em Belém de Judá, certamente conhecia o que significava depender da providência divina, pois há um grande abismo entre conhecer a definição nominal de Iaveh Jireh (hebr.: o Senhor Proverá) e provar do cuidado divino ao suprir nossas necessidades físicas, espirituais e emocionais.

Aprendamos a ouvir a voz do nosso Pastor, pois as suas ovelhas conhecem a sua voz e o seguem (João 10:4,14). Ele que conhece muito bem o caminho, pois é o próprio Caminho, nos guiará e certamente de nada teremos falta, pois segundo as suas riquezas suprirá todas as nossas necessidades em glória, por Cristo Jesus (Filipenses 4:19).


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