domingo, 2 de fevereiro de 2014

"MateMágica" [crônica]


Um “bicho de sete cabeças”. Essa é a definição corrente para o componente curricular mais temido entre os estudantes. E, por tabela, professor de Matemática, quase sempre é “carrasco” (vixe, credo em cruz!). A Matemática é sempre associada a algo complicado, sem sentido e que só atrapalha a vida do alunado. E por mais incrível que pareça, apesar de ser professor desta disciplina desde o século passado, pois ingressei no magistério no ano de 1996, aos vinte e um aninhos – tão cara de moleque que certo dia o porteiro me barrou pensando que eu era aluno querendo entrar na escola sem uniforme – também pensava assim, até que descobri a beleza da “Rainha das Ciências” e decidi fazer do seu ensino, minha profissão. E para seu espanto, meu caro, na Educação Básica, me saía bem melhor nas aulas de Língua Portuguesa. Notou que redijo tão bem?! Fala sério.
            Acho fantástico o que Galileu Galilei afirmou: “A Matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo”. E isto procede, haja vista que o mundo que nos cerca possui certa regularidade e previsibilidade que, se analisadas a fundo, podem nos deixar perplexos.
Ela é considerada um tipo de conhecimento “puro”, pois serve de suporte para compreensão das demais áreas do saber, além de fornecer o instrumental lógico e simbólico para descrever leis, organizar informações ou mesmo resolver os mais diversos tipos de problemas. É claro que existem alguns tópicos um tanto complicados para reles mortais como nós. Álgebra, Cálculo Diferencial e Integral, Topologia, Teoria dos Fractais, etc. Na maioria deles, até eu levei bomba. Pois é. Ninguém é perfeito. Mas são as aplicações da Matemática que me fascinam. Alguns exemplos simplórios são as brincadeiras de criança, os jogos de azar (ou de sorte?), as produções artísticas que se favorecem das composições geométricas e até aquela Matemática financeira do dia a dia, cuja ignorância velada pode nos causar prejuízo no orçamento mensal.
Infelizmente, são poucos os estudantes que se atém a este fato e a maioria acaba passando pelo ensino fundamental, médio e até o superior odiando a matéria, desprezando os professores e perdendo a oportunidade de mergulhar no mundo maravilhoso dos números, das formas, mas medidas e da resolução de problemas. Em minhas aulas, sempre que possível, procuro ressaltar os aspectos lúdicos e as possíveis aplicações no cotidiano dos estudantes. Isto pode ajudar a desmitificar a ideia de que Matemática é coisa de cientista maluco. Pode até ser, mas Matemática também é coisa de feirante, dona de casa, cozinheiro, padeiro, vendedor, internauta, turista, músico, médico, pintor, programador, pastor, taxista, juiz, promotor, presidiário, adolescente, idoso, homem, mulher, criança, e até... “ao infinito e além”.
E, “para nossa alegria”, acabei de lembrar de mais um episódio que, se não compartilhasse hoje, ficaria de consciência pesada. Algo em torno de “dez elevado à quinta potência de quilogramas”. Brincadeirinha! Então vamos ao que interessa:
 “EJA – Educação de Jovens e Adultos. Aula de Matemática. Último horário de sexta-feira à noite. E aquele aluno ‘play boy’ metido a garanhão, sentado no paredão não queria nada com nada. Mas o que será que o fazia permanecer assistindo aquela aula chata de Conjunto dos Números Racionais, as famosas frações? Só uma resposta poderia ser possível: a professorinha. Pitéuzinho, inteligente, charmosa e de voz macia, o interesse pela mestra era a única coisa que mantinha o garotão dentro da escola.
“Contudo, ao perceber que nem caderno o rapaz portava, a bela professora chamou sua atenção: Ô rapaz, cadê seu material escolar? Assim você não vai aprender nada sobre fração.
 Desculpe-me, professora, mas a única coisa que preciso de fração, eu já aprendi – respondeu o jovem com ar de conquistador.
“Então diga para a classe o que você aprendeu, então! – exclamou duvidosa a professora.
“O rapaz levantou-se e, em alto e bom som, bradou:  Aprendi a rezar UM TERÇO, pra arranjar UM MEIO de levar a senhora pra UM QUARTO.
“Ruborizada, a mestra não teve escolha e esbravejou:  Já pra diretoria, seu engraçadinho!”
Moral da história: A Matemática é bela e pode ser mágica, mas também é perigosa, pois o feitiço pode virar contra o feiticeiro.
E pra finalizar, SOME as vitórias, DIMINUA a ansiedade, MULTIPLIQUE o há de bom na vida e DIVIDA com quem estiver mais perto de você. Aproveite o dia e seja feliz!
Penso, logo digo!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O amor é lindo! [crônica]


Amor de mãe, amor de irmão, amor de amigo, amor de mulher. O amor é algo fácil de sentir, mas difícil de explicar. Tenho um palpite de que o amor é bem mais que um sentimento. É uma escolha, é uma decisão, é sacrifício, é doação. A teologia afirma que Deus é amor. E Ele provou esse amor entregando seu unigênito Filho para morrer no lugar dos pecadores.
O cruel capitalismo, que tanta competição, egoísmo e miséria tem causado à humanidade, não se acanhou em macular o imaginário coletivo sobre a compreensão do que é o amor. Tornou-o sinônimo de paixão. Transformou-o uma mercadoria barata vendida a rodo nos filmes, novelas, reclames e reality shows da vida. Reduziu algo tão sublime a um simples encontro de corpos nus, vulgarizando a imagem feminina, associando-a a um simples objeto de prazer.
Esteja certo de que é falácia a declaração de que alguém pode matar por amor. Pode-se matar por paixão, por ciúme, por inveja, mas não por amor. O amor gera vida. O amor gera perdão. Sara as feridas da alma, traz paz e cura a solidão.
Concordo com alguém que comparou o amor a uma plantinha que para sobreviver, crescer e dar frutos precisa ser cuidada, adubada, regada, podada. Não existe analogia mais adequada. Por desprezar esse princípio muitos casais têm acabado seu matrimônio em poucos anos e até meses. Faltou aos cônjuges certa dose de paciência, renúncia e, quem sabe, de romantismo.
Muitos acham que o casamento é uma linha de chegada. Depois de conquistarem o marido ou esposa com quem tanto sonharam, relaxam. É aí que mora o perigo. Casamento é uma caminhada. A conquista deve ser diária. O carinho, a gentileza, as palavras doces, a cumplicidade, o sonho compartilhado não podem ser menosprezados, sob pena de abrir brecha para traições, brigas, batalhas judiciais, sofrimento dos filhos e o terrível divórcio.
Pensou que hoje eu ia dar sermão? Não. Apenas cumpro a tarefa de advertir, de mostrar que tudo pode ser diferente, que o fracasso não é seu destino inexorável. Ops! Já comecei a falar difícil. Perdão! É mania de arremedo de cronista gabola.
Mas, pra não ficar só nas minhas palavras, vamos ao “causo” de hoje, “para nossa alegria”:
“O casal, prestes a completar Bodas de Ouro  cinquenta anos de casados  parecia haver esquecido do romantismo dos tempos de namoro.
“A mulher que quase sempre é mais sensível, mais emotiva e nunca esquece das datas importantes, disse ao marido: – Ô benhê, sabe que dia é amanhã?
“O marido rispidamente respondeu: – É domingo, sua besta!
“A esposa então, com voz melosa, insiste: – Sim, eu sei que é domingo, mas você não lembra de que é um dia especial?
“Ah, sim! É dia de missa. Mas pode tirar seu cavalinho da chuva que eu não vou perder meu tempo ouvindo aquele sermão cumprido e aquela cantoria sem fim – retrucou impaciente o esposo.
“A esposa tenta então sensibilizar o maridão displicente: – Filho, você não tem jeito, mesmo. Amanhã é nosso aniversário de casamento. Vamos comemorar bodas de ouro! E eu pensei que a gente podia matar o capado e fazer um churrasco.
“O marido, contrariado, deu um pulo da cadeira e exclamou: Para com tua graça que o bichinho não tem nada a ver com isso.”
Moral da história: O amor é lindo, mas pode ficar feio, murchar e morrer, se não for cuidado, se não for alimentado.
Então ame. Ame sem reservas, sem preconceitos, sem interesses. Demonstre esse amor com palavras, mas também com ações. Seja feliz ao lado de quem te quer bem.
Penso, logo digo!